As porcelanas “Royal Copenhagen”

Numa era em que as porcelanas eram o presente mais trocado entre membros da realeza e a aristocracia, encantados pelas porcelanas azuis e brancas das Dinastias Ming e Qing oriundas da China, e em que na Europa já se materializavam vontades de criação de centros de produção de porcelanas, a Dinamarca não se manteve alheia a esse espírito.

A Dinamarca, regida pela viúva do Rei Frederico V (1723-1766) e madrasta do Rei Cristiano VII (1749-1808) que, vítima de uma doença mental, tinha ficado incapacitado de assumir a direção do reino, é nas mãos da rainha Juliana Maria (1729-1796) que verá nascer, no 1.º de Maio de 1775, a Royal Danish Porcelain Factory.

Fundada pelo químico Frantz Heinrich Muller, a quem foi concedido o monopólio para a criação de porcelanas durante 50 anos, a Royal Danish Porcelain Factory (actual Royal Copenhagen) teve a sua primeira sede na Torre Redonda, no centro de Copenhaga. As primeiras peças produzidas foram essencialmente serviços de jantar destinados à família real, do qual o serviço Blue Fluted é exemplo (inspirado num crisântemo trazido da China e o qual ainda hoje é produzido), tendo sido em 1790 que foi criado o emblemátio Flora Danica, já referido por Tachos&Porcelanas, que, contudo, nunca viria a chegar às mãos de quem se destinava, Catarina A Grande.

Serviço Blue Fluted.
Fonte da imagem: www.royalcopenhagen.com

É curioso notar que a porcelana marcou forte presença na vida da Rainha Juliana Maria. O irmão, Carlos I de Brunsvique-Volfembutel (1713-1780) foi o fundador de uma fábrica de porcelana na Alemanha, mais concretamente em Furstenberg e a irmã, Isabel Cristina de Brunsvique-Volfembutel (1715-1797) contraiu matrimónio com Frederico II da Prússia (1712-1786), o qual fundou, em 1763, uma fábrica de porcelana em Berlim.

A Rainha Juliane Marie foi sempre uma grande admiradora das peças produzidas pela Royal Danish Porcelain Factory, as quais eram cunhadas com a marca de três ondas estilizadas, que representavam os três mares da Dinamarca – Kattegat, Nordsoen e Skagerrak – encimadas por uma coroa, cujos contornos foram variando ao longo do tempo, permitindo determinar, com rigor, a época da respetiva produção.

E para testemunhar a paixão suscitada pela porcelana, Lord Nelson (1758-1805), depois de derrotar os dinamarqueses na Batalha de Copenhaga em 2 de Abril de 1801, adquiriu porcelanas Royal Copenhagen para presentear a sua amante, Lady Hamilton (1765-1815).

Curiosidades !!!

Nota: na imagem de destaque, a Rainha Juliana Maria pintada por Johann Georg Ziesenis.

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