Tachos&Porcelanas e a Sachertorte

Em viagem a Viena, Tachos&Porcelanas saboreou a conhecida Sachertorte, que integra o acervo tradicional gastronómico austríaco desde 1832.

Com efeito, tudo começou em 1832, no dia em que o ilustre político e diplomata Príncipe Clément-Wenceslas de Metternich (1773-1859) encarregou a sua cozinha de preparar uma sobremesa requintada para um determinado jantar.

Franz Sacher

Em virtude de doença súbita do mestre cozinheiro, a tarefa recaiu sobre o seu aprendiz, Franz Sacher (1816-1907) que, com a modesta idade de 16 anos, criou uma génoise suave de chocolate recheada com uma fina camada de doce de alperce e coberta por uma camada de chocolate, que ficaria conhecida por Sachertorte ; o sucesso, embora firme, teve modestos ecos.

Entretanto, Franz Sacher passou algum tempo em Bratislava e em Budapeste e, em 1848, regressou a Viena onde abriu um espaço gastronómico.

Em 1876, Eduard Sacher (1843-1892), filho de Franz Sacher, fundou o luxuoso Hotel Sacher o qual, graças à sua distinta mulher, Anna Maria Fuchs (1859-1930), passou a ser um ponto de referência das celebridades e da alta sociedade, e no qual a Sachertorte era servida acompanhada por um creme de natas batidas (Schlagobers). Foi assim que se tornou numa especialidade culinária vienense, se bem que mais apreciada pelos estrangeiros do que pelos próprios vienenses, sendo ainda hoje comercializada ao ritmo de 270.000 unidades por ano.

É de assinalar que a Sachertorte extravasou mesmo as paredes da cozinha e chegou às dos tribunais por altura de um litígio travado entre as Casas Sacher e Demel.

Com efeito, em 1934, o neto de Franz Sacher, também ele de nome Eduard Sacher, à semelhança do pai, em resultado da falência e da venda do Hotel Sacher, foi contratado para trabalhar na Casa Demel, à qual vendeu a receita da Sachertorte e o direito ao uso desta expressão. Contudo, em 1938, o novo dono do Hotel Sacher começou, ele próprio, a vender a Sachertorte registando a marca com o sinal «Original Sachertorte». Embora a Casa Demel tenha reagido de forma negativa a este facto, as atenções concentraram-se na sobrevivência à 2.ª Guerra Mundial. Finda esta, inicia-se outra, a «Guerra dos Bolos», entre as Casas Sacher e Demel, e a luta pelo uso exclusivo da expressão «Original Sachertorte». Em 1965 o litígio chega ao fim e, por acordo inter-partes, foi à Casa Sacher que se reconheceu o direito ao uso exclusivo da expressão «Original Sachertorte», ficando à Casa Demel assegurado o uso da expressão «Eduard Sacher-Torte».

Na realidade, a Sachertorte produzida pela Casa Sacher difere da produzida na Casa Demel, uma vez que nesta, a compota de alperce não recheia o Bolo mas apenas o encima, ficando imediatamente por debaixo da camada de chocolate, contrastando assim com a camada dupla que tem na versão original.

 

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